Porque é que Santa Teresa do Menino Jesus e da Divina Face se tornou padroeira das missões, sem nunca ter saído do Carmelo?

 Santa Teresa de Lisieux foi uma monja contemplativa da ordem dos carmelitas, que entrou no convento com 15 anos e lá faleceu com 24 anos de idade, vítima de tuberculose. Estávamos nos finais do século 19.

Teresa não foi fisicamente missionária mas grande era a sua oração, admiração e ligação com as missões.

Tida no Carmelo como uma freira igual às outras, sem aparentemente nada que a destacasse, só depois da sua morte, e através dos seus escritos, se concluiu a sua verdadeira vocação e personalidade, vivida num esforço de santidade, através da humildade, obediência e simplicidade, do amor ao próximo, que tinha muitas vezes como sacrifício, ao contrariar a sua natureza.

Sempre com o objetivo da santidade, tentando cada vez mais imitar e aproximar-se de Jesus, certo dia em diálogo com Ele, disse-Lhe:

“Ó Jesus meu amor, encontrei finalmente a minha vocação! A minha vocação é o Amor! O meu lugar no coração da Igreja será o Amor. Com o Amor eu serei tudo e assim será realizado o meu sonho.”

Como gostava muito de flores, um dos seus sonhos era, após a sua morte, lançar do céu uma chuva de pétalas de rosa com o perfume do seu amor, o perfume do Amor de Cristo!

Esta é uma verdadeira missão, um verdadeiro espírito missionário, levar o mundo inteiro a sentir o perfume do amor de Cristo!

Em vida fazia-se pequenina, e o seu caminho era o das coisas pequenas e simples. Mas os seus desejos íntimos eram bem maiores:

“Não obstante a minha pequenez, queria iluminar as almas, como os Profetas e os Doutores. Senti a vocação de ser Apóstolo e queria ser missionário, não durante alguns anos mas desde o princípio do mundo até à consumação dos séculos. Mas acima de tudo, ó meu amado Salvador, queria derramar o meu sangue por Vós, até à última gota.”

Esta era uma vocação universal, possível só se Teresa se tornasse o amor dentro da Igreja.

Após a sua morte, são descritas várias intervenções milagrosas, também junto de missionários.

Mas o acontecimento que definitivamente a tornou padroeira universal das missões, foi assim:

No princípio do seculo 20, dois missionários franceses da ordem dos Oblatas de Maria Imaculada, foram enviados para evangelizar uma comunidade nómada dos indígenas Inuit, na baía de Houston, Canadá. Por motivos vários, os seus objetivos não foram bem sucedidos, não havendo conversões nem batismos, só havia curiosidade da parte da comunidade. E após acontecer o martírio de dois outros colegas missionários, foi mesmo decidido encerrar esta missão.

Nesse entretanto, um dos missionários recebe duas cartas sem remetente, uma com uma pagela descritiva da vida de Santa Teresa, e a outra com um pouco de terra do seu sepulcro, tida como terra miraculosa.Assim, num dos encontros com a comunidade, os missionários decidiram pedir a intercessão de Santa Teresae espalharam alguns grãos daquela terra nos cabelos dos indígenas. Era as  vésperas da época de partirempara a caça, atividade fundamental para a alimentação da comunidade, e só regressariam no Natal. Apesar desse contratempo, apresentaram-se na missão três famílias completas pedindo para serem batizadas. Oitomeses de preparação para o batismo coincidiam com a época da caça. Indagados a este respeito, os chefes de família responderam que, Aquele a quem chamavam de Pai Nosso, e que nos amava a todos, haveria de providenciar os alimentos necessários à subsistência.

A partir daí a missão prosperou rapidamente junto da comunidade. O bispo local ficou tão tocado que contactou outros 226 bispos missionários, tendo sido feita uma petição assinada por todos, que chegou ao papa Pio XI, para que Teresa do Menino Jesus, fosse tida como protetora das missões no mundo inteiro. E o Papa aceitou esse pedido.