Num mundo onde, tantas vezes, reina o ódio, o crime, a guerra, a destruição, é urgente clamar a necessidade de conversão e ajudar os homens a caminhar para a Páscoa.

Numa sociedade onde reinam tantas situações de mentira, de injustiça, de roubo, de atropelos aos direitos humanos, é urgente falar da necessidade de conversão e ajudar os homens a preparar a Ressurreição do Senhor. Nas estruturas sociais onde o homem é, tantas vezes, desprezado, onde a dignidade moral e os valores éticos são continuamente atropelados e criminosamente ridicularizados ou até atacados, é urgente proclamar a necessidade de conversão e ajudar os homens a buscar caminhos que conduzem à alegria pascal.

Nas famílias onde não há ambiente de paz, onde não há diálogo aberto e sincero entre pais e filhos, onde não há emprego, pão, nem meios para ter um lar, é urgente proclamar a necessidade de conversão, ajudando-as a descobrir a sua grandeza e a ter meios para “ressuscitarem”, como Cristo Jesus.

Nas paróquias e nos movimentos de jovens apostólicos onde não há verdadeiro empenho na salvação do mundo, no serviço dos mais pobres e necessitados, na ajuda concreta para resolver problemas de dor e de infelicidade, é urgente falar de conversão e ajudar os cristãos a viverem os compromissos baptismais para serem testemunhas de Jesus Ressuscitado.

Nos carismáticos religiosos onde se não vive a comunhão e a unidade evangélica, onde os notáveis não “gritam” com as suas vidas o valor dos votos religiosos, e não dão testemunho alegre de terem dado as suas vidas ao Ressuscitado, é urgente falar da necessidade da conversão, ajudando-os a mostrar ao mundo o “Absoluto de Deus” na sua existência.

De facto, precisamos de tomar a sério a vivência quaresmal. Convertei-vos.

Convertei-vos é a palavra de Jesus Cristo, apelo contínuo da Igreja neste tempo de Quaresma. Mudai a vida, abandonai as obras das trevas, deixai o caminho do pecado, rasgai os corações, aproximai-vos de Deus, vivei o amor, rezai mais, amai mais, sede melhor, os mais perfeitos, lutai contra o mal, semeai a paz, vivei na unidade, acolhei o próximo, construí comunhão, renunciai ao vosso comodismo, lutai contra o egoísmo, renunciai-vos, dai com generosidade.

Numa sociedade tão sofregamente consumista, em que a mentalidade das pessoas se deixa mover pelo desejo desenfreado de ter mais, de acumular, de gozar dos bens de consumo, de comprar mesmo sem precisar, andando ao gosto e ao sabor da moda.

Ao cristão que se contenta com a prática da missa dominical, mas ao longo da semana vive alheio a Deus e às exigências do evangelho, a conversão é uma exigência.

Nos movimentos de jovens apostólicos onde as relações fraternas são deficientes, onde não há verdadeiro amor de cristão e não se vive até às últimas consequências o dom da própria vida pelos outros, falar de conversão é uma exigência.
Os carismáticos religiosos fechados sobre si mesmos, onde a pobreza evangélica não é vivida na alegria, onde a justiça e a partilha não ocupam um lugar cimeiro, falar da conversão é uma exigência.

Ao cristão que não sabe encontrar tempos diários de oração, que não entende que o baptismo lhe exige um compromisso de vida apostólica mais empenhada, a conversão é uma exigência. Uma conversão sincera.

Segundo S. Paulo, a conversão da mudança de pensar e sentir, não é só ser um pouco melhor, rezar um pouco mais, fazer esta ou aquela penitência, impedir algo. A mudança de pensar e sentir implica mudança de critérios, de gostos de opções. É, portanto, algo mais radical. É a lança afiada que deve atingir o mais secreto do nosso interior. Temos muitas vezes critérios temporais, quase pagãos. Temos gostos temporais cheios de pecados.

Temos mentalidades que decorrem e se gastam em prazeres materiais. Deixamo-nos influenciar pela sociedade consumista, pelos critérios de ter mais, pela aparência vaidosa e dada aos prazeres, pelo triunfalismo infrutífero, pelo poder que destrói e se sobrepõe aos outros. É no mais secreto do nosso intimo que se tem de realizar a mudança de pensar e sentir, a conversão sincera e o mais radical possível. É preciso conversão. Há uma imperiosa necessidade de mudança da mente e do coração.

AJSFigueiredo