Depois da Páscoa, vivemos liturgicamente o Tempo Pascal, durante cinquenta dias, até ao Pentecostes, vinda do Espírito Santo e nascimento da Igreja. É um tempo indispensável de oração e meditação jubilosa e mais intensa sobre este principal mistério da nossa fé.

A Ressurreição de Cristo, no seu momento histórico salvífico, não foi presenciada pelos discípulos de Cristo. Eles foram surpreendidos pelo desaparecimento do Corpo de Cristo do sepulcro. Foi depois o aparecimento de Cristo Ressuscitado, primeiro a Maria Madalena e a seguir aos demais discípulos, que confirmou e iluminou a profecia antes anunciada e mal compreendida. 

Tão grande era o mistério, que Deus nos deu algum tempo para o enfrentarmos. Jesus Cristo ficou com os discípulos durante quarenta dias, antes da Sua Ascensão ao Céu. Tempo durante o qual os preparou para o Pentecostes e a futura vida da Igreja. 

Assim, este Tempo Pascal deve também ser para nós, em primeiro lugar, um prolongamento e um aprofundamento da meditação sobre a Ressurreição de Cristo, a Sua Páscoa; e, por mérito dela, também sobre a nossa Páscoa, a nossa «passagem» da morte à vida, com Cristo, o nosso baptismo, a nossa salvação. Essa meditação sobre a Páscoa torna-se mais intensa com a celebração da solenidade da Ascenção, em 16 de Maio.

Mas logo no domingo seguinte, a 23, teremos o Pentecostes, a celebração solene da «descida do Espírito Santo», início da Igreja de Cristo por acção do Seu Espírito. O Pentecostes é fruto e culminância da Páscoa e da Ascensão de Cristo.

Depois do Pentecostes, logo no domingo imediato, a liturgia propõe-nos a reverência à Santíssima Trindade, que este ano cai no dia 30, fechando o mês de Maio. 

Fica para o mês seguinte, logo na primeira quinta feira, o encerramento deste ciclo maior da liturgia, com a solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo. Já dentro do Tempo Comum, na sexta feira, dia 11 de Junho, com a solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a liturgia como que nos convida a continuar a adoração a Cristo, agora na focagem mística do Seu amor infinito por nós. 

Percorreremos depois o Tempo Comum, até ao novo Ano Litúrgico. Sempre meditando os mistérios da nossa fé, para nos alimentarmos espiritualmente e darmos glória ao Deus que veio para a nossa salvação.

Fernando de Campos