EU QUERO SER SANTO

Padre Simon d’Artigue

Homilia no dia de Todos-os-Santos 2021

 

No início do ano, a professora pede aos alunos que peguem uma folha, escrevam o seu nome, e depois o que querem ser no futuro.

Cada um coça a cabeça… “Que quero fazer depois? Quero ser bombeiro, enfermeiro, astronauta, presidente da república, lenhador, pastor….

Eu quero ser rico, famoso, saudável…”

E o pequeno José disse a si mesmo, resolutamente: “Não! Eu quero ser santo”

Eis a nossa ambição, a única que vale a pena: ser santo.

A esta pergunta do professor, a esta pergunta da vida de cada um de nós, só há uma resposta: quero ser santo.

E vocês meus irmãos, reunidos nesta manhã nesta igreja, o que é que querem para a vossa vida? Ser santo?

Mas as objeções estão girando nas nossas cabeças: é tarde demais, estou muito velho, é muito difícil, exige muito esforço, temos que sofrer por isso e eu não quero sofrer, tenho outra coisa para fazer , estou muito ocupado, a minha vida já está muito cheia de preocupações para me comprometer com mais isso…

Muitas desculpas falsas com as quais o diabo esfrega as mãos e prestamos tanta atenção a esses obstáculos, eles entorpecem o nosso coração, envelhecem a nossa alma, eles a tolhem, entristecem a nossa vida objetando-nos que é impossível, fazendo-nos dar atenção (e até cultivar) a tudo o que está morrendo dentro de nós.

Mas a santidade é a juventude da alma, a santidade é a alegria do possível, a santidade é a grande aventura, a santidade é a vida de Deus que penetra em mim.

Porque se eu perder de vista o propósito da minha vida já estou um pouco morto, uma espécie de zombie, os mortos-vivos aqueles que se comemoram no Halloween.

Mas nós não celebramos a morte, celebramos a vida, o homem vivo, o santo.

É isso que celebramos no Dia de Todos os Santos; este é o objetivo da nossa vida, para o que somos feitos: a santidade, nem mais nem menos.

E a santidade é muito simples, é uma decisão: “Quero ser santo Senhor”, uma decisão que posso tomar hoje na graça deste Dia de Todos os Santos.

Pois o Senhor não espera de nós outra coisa senão esta firme resolução de nossa vontade: quero ser santo!

Não, não, eu quero ser rico

Ou eu quero ficar quieto

Ou eu quero ser saudável

Ou eu quero uma família grande

Ou eu quero ficar sozinho

Ou quero ser médico ou presidente da república

Que coisas boas são estas, mas coisas que só valem se estiverem ligadas à santidade.

Quero ser santo e não amanhã, não depois, quero ser santo hoje, porque amanhã é sempre tarde demais, porque isso significaria que haveria algo mais importante, mais urgente na minha vida, porque amanhã significa que temos que fazer um plano, previsões, quando Deus não pede um plano, nenhuma estratégia, apenas Lhe dizer “sim Senhor”, como uma criança: como Joana d’Arc, ou Germaine de Pibrac

Não sei o que o amanhã trará, mas sei o que posso fazer hoje, neste momento em que estou na missa e onde posso estar com todo o meu coração e confessar-Te o meu amor Senhor, e o meu grande desejo de ser santo.

Quero viver santo hoje, como vivo a minha saúde debilitada, os meus problemas de casal ou de pais, o meu medo do futuro, a minha incerteza sobre minha vocação, a minha vida já sobrecarregada, o grande desejo de me casar, sem encontrar quem compartilhe a minha vida, com a minha crise de adolescente, com o meu pecado do qual não me consigo livrar, com a minha dificuldade em rezar a Ti Senhor, com a minha homossexualidade, com a minha velhice e o meu cansaço, com a minha juventude e a minha inexperiência, com o meu divórcio, com os meus grandes desejos e os meus fracassos, quero ser santo!

E em todos esses lugares onde vemos obstáculos, impossibilidades, o Senhor vê aí oportunidades para deixar Sua Graça penetrar, operar, santificar.

Porque a única coisa que Deus nos pede é o nosso desejo e a nossa pobreza e isso é bom porque se temos uma coisa em comum aqui é a nossa pobreza, somos todos pobres pecadores.

Deus não quer a nossa força, força é o que faz os heróis, não os santos. Porque os heróis com sua força não precisam de Deus, eles têm a sua força; Deus não precisa também logo dos nossos talentos, mas vai usá-los mais tarde, além do mais, os nossos talentos Ele os conhece, foi Ele quem nos deu. Deus só precisa de nossa fraqueza, é tudo o que ele nos pede hoje, a nossa fraqueza e o nosso grande desejo.

Senhor, hoje nesta festa de Todos os Santos, peço-Te que nunca esqueças ao que me chamas: a ser santo, e peço-te a graça de Te responder hoje: “Sim Senhor, o meu desejo mais profundo é oferecer-Te o meu coração, o meu pobre coração, para ser santo. »

Padre Simon d’Artigue

Homilia no dia de Todos-os-Santos 2021