Pentecostes hoje!                                                                                                                                                   Extratos de Homilias de Bento XVI

A torre de Babel moderna está aí! Apesar da proximidade e duma linguagem comum entre os homens, a compreensão mútua é cada vez menor: aumenta a desconfiança, a suspeição, o medo do outro. A graça de Pentecostes responde a uma questão que no momento actual se tornou um verdadeiro problema de sobrevivência. Pentecostes é festa da união, da compreensão e da unidade entre os homens.

Aquilo que o ar é para a vida biológica, o Espírito Santo é-o para o espirito. A poluição espiritual é mais grave que a poluição atmosférica, quando as crianças não respiram o amor. Para que o homem possa viver como criatura espiritual, não basta que os seus órgãos e a sua inteligência funcionem normalmente. O homem espiritual não poderá viver se não respirar o ar espiritual que o faz viver.

O Espírito sopra onde quer. O Seu sopro é a respiração de Jesus Cristo. O Senhor sopra sobre os apóstolos: eis o dom do Espírito Santo (Jo 20,22s). O Espírito Santo procede de Cristo, porque é o modo da presença da vontade divina: o Espírito é o sopro de Cristo, e nós ficamos sob a acção do Espírito quando estamos sob o sopro de Jesus.

Cristo quer nascer de novo em cada uma das Suas criaturas; Deus quer vir em nós. A história da humanidade deve ser aquela da Encarnação; Cristo quer tomar forma em nós, diz S Paulo (Gl 4,19) e a oração da Igreja em Pentecostes é uma oração mariana; “Faça-se em mim segundo a Tua Palavra”. Quanto mais penetramos profundamente nesta meditação, mais se cumprirá Pentecostes, mais a Esperança atravessará e habitará todas as trevas do nosso mundo.

O Santo Espírito é representado como o sopro de Jesus Cristo (Jo 20,22). João retoma assim uma imagem da descrição da criação onde nos é dito que Deus soprou nas narinas do homem. O sopro de Deus é vida. Hoje em dia o Senhor insufla-nos na alma o sopro da vida nova; o Espírito Santo, o Seu mais íntimo, introduz-nos na família de Deus. No Baptismo e na Confirmação, isso foi-nos oferecido, e isso reproduz-se cada vez que vamos ao Sacramento da penitência: o Senhor insufla-nos na alma o Seu sopro de vida.