O teu desejo é a tua oração; se o desejo for contínuo, contínua é também a oração.                                                                                        Não foi em vão que o Apóstolo disse: orai sem cessar.                                                                                                                                            Existe uma oração interior e contínua que é o desejo. Se não queres deixar de orar, não interrompas o desejo. A frieza do amor é o silêncio do coração; o fervor do amor é o clamor do coração. Enquanto a caridade permanecer, estarás clamando sempre.

Senhor, apresento-te todo o meu desejo.

Que sucederá se diante de Deus está o desejo e não o gemido? Mas como pode ocorrer isto, se o gemido é a voz do desejo? Por isso diz o salmo:  a Ti não se ocultam os meus gemidos. Para Ti não estão ocultos, mas sem duvida que para muitos homens estão.      Por vezes também sorri o servo de Deus. Pode-se por acaso deduzir, que pelo seu riso morreu no seu coração aquele desejo?

Se o teu desejo está no teu interior, também está o gemido.

Talvez o gemido não chegue sempre aos ouvidos do homem, mas jamais se afasta dos ouvidos de Deus.

Santo Agostinho