São Tomás de Aquino (1225-1274)
teólogo dominicano, doutor da Igreja
«Comentário sobre São João», tomo II § 2061

 

O envio do Espírito Santo

Convém considerar que, quando é enviado, o Espírito Santo não muda de lugar, dado que Ele cobre a superfície da Terra, como diz o Livro da Sabedoria (1,7); o que acontece é que o Espírito Santo começa a habitar de maneira nova, pela graça, naqueles que transforma em templo de Deus: «Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? (1Cor 3,16).
E não é contraditório dizer que Ele é enviado e que vem, porque dizer que vem permite-nos ver manifestamente a majestade da sua divindade, Ele que «opera» «como quer» (1Cor 12,6.11), e dizer que é enviado mostra que procede de outro. Com efeito, o facto de santificar a criatura racional habitando nela provém de Outro, do qual ele Ele tem o ser, tal como o Filho tem o agir de Outro.
Observemos igualmente que a missão do Espírito Santo provém conjuntamente do Pai e do Filho, como exprime o Livro do Apocalipse: «[O anjo] mostrou-me, depois, um rio de água viva, resplendente como cristal, que saía do trono de Deus e do Cordeiro [ou seja, de Cristo]» (Ap 22,1). É por isto que, para a missão do Espírito Santo, se refere o Pai e o Fiho, pelos quais, em virtude de um mesmo e igual poder, Ele é enviado. Assim, umas vezes Cristo apresenta o Pai como aquele que envia, embora não o faça sem o Filho: «o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome» (Jo 14,26); doutras vezes apresenta-Se a Si mesmo como aquele que envia, mas não o faz sem o Pai: «que Eu vos enviarei de junto do Pai», porque tudo aquilo que o Filho faz provém do Pai: «O Filho, por Si mesmo, não pode fazer nada» (Jo 5,19).