1. O que, sobre tudo o mais, marca liturgicamente o mês de Dezembro, é o Natal.

2. Neste tempo, o que primeiro nos pertence é o Advento, isto é, viver um tempo forte de recapitulação da nossa espera pela vinda do Messias, que veio definitivamente mas continua a vir continuamente, renovadamente: para o mundo, as nossas famílias e cada um de nós.

A vida do cristão é uma espera infinda até ao encontro final da visão face a face com Deus. Espera é esperança, unida à fé e à caridade — as três virtudes teologais infusas são irmãs siamesas até àquele encontro final com Deus, que desprenderá os dois foguetões da fé e da esperança para ficar apenas a luz perfeita da caridade. 

Devemos amar a nossa esperança, e invocá-la constantemente como dom de Deus, porque ela é o dom preciosíssimo que, humilde mas mais fortemente que todos os demais, sustenta os outros ricos dons da fé e da caridade. A esperança pode restar até na fé moribunda e na secura do coração, é o nosso último respiro de alma humana. Neste ano da graça de 2010, enchamos o Advento com uma oração à nossa esperança em Deus.

3. Na solenidade do Natal, o nosso olhar espiritual é para o Filho de Deus Altíssimo, que do seio do Pai veio já como Jesus Messias, Salvador Ungido; viveu entre nós, ensinou, santificou, curou, libertou, sofreu a nossa condição pecadora e o nosso pecado assassino, ressuscitou e voltou para o Pai, onde foi glorificado também no seu corpo humano regenerado e ressuscitado — Corpo de que nos oferece comunhão, na Eucaristia — e enviando-nos para sempre o Consolador Divino, o Espírito Santo. 

O Natal é o amor misericordioso e infinito do Pai, é a vinda humilíssima do Filho, é a obra sempre íntima e poderosa do Espírito Santo e Santificador na nossa humanidade.

O Natal é a aliança de Deus connosco que recomeçou finalmente na colaboração daquela que, entre nós, é a bendita, a escolhida para Mãe de Jesus, Deus Salvador: Maria de Nazaré, assim também nossa Mãe em Jesus Cristo, Deus e nosso Irmão. 

É digno, justo e necessário amar a Deus; mas não há maior amabilidade, para nós humanos, do que a do Natal de Cristo, no Deus Menino e na Família de Nazaré.

Fernando de Campos