Oração pessoal e comunitária

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Muitas vezes afirmamos que vamos à reunião semanal do grupo de oração para "carregar as pilhas". Sendo verdade, é apenas meia realidade. Na verdade, há um fluxo de comunicação entre as experiências individuais de oração e a oração comunitária. É o mesmo Espírito que nos conduz e vai entrelaçando os ensinamentos que nos faz de forma individual, com aqueles que nos ministra em comunidade.

 

Frequentemente acontece que na nossa oração pessoal sentimos um apelo a ler determinada passagem da Palavra de Deus, cujo sentido nos toca, mas que não parece adaptar-se muito às nossas circunstâncias de vida do momento. Por vezes, esta ideia é tão persistente que perdura vários dias. E eis que chega a reunião do grupo e o mesmo sentido dessa Palavra surge. Então, podemos confirmar uma profecia que foi dita ou uma leitura que foi lida e podemos contribuir, acrescentando algo de novo, pela forma como nós próprios vivemos, durante esses dias, aquela mensagem que não nos deixou indiferentes.

 

Igualmente acontece com factos que se desenrolam no nosso dia a dia: por vezes, situações que nos pareceram um absurdo ou que nos interpelaram de alguma forma, adquirem a sua real dimensão e sentido no decorrer da oração do grupo. É assim que vamos enriquecendo a reunião comunitária, partilhando os dons que o Senhor dá a todos e nos vamos sentindo mais participantes e mais filhos amados de Deus. Só temos de estar disponíveis e atentos e, obviamente, reservar tempos fortes para a nossa oração pessoal.

 

Inversamente, acontece que, mediante a variedade de carismas sempre existente no grupo, surgem mensagens que nos interpelam e nos impelem a meditar, em oração individual, e também a mudar de vida. Novas maneiras de ver problemas e situações, ou assuntos já individualmente meditados, são também contributos constantes que a oração comunitária traz à nossa dimensão pessoal.

 

Por outro lado, o grupo funciona como uma espécie de espelho que nos devolve a nossa verdadeira imagem (não aquela que pensamos ter construído e pretendemos transmitir), revelando-nos os nossos defeitos, mas apontando-nos também os dons e carismas que nos foram dados e só se revelam na relação com os outros. Este discernimento, que só existe na comunidade, é indispensável para o nosso caminhar, na segurança de que não avançamos por um caminho ditado pela nossa mente, povoada com os nossos anseios mais recônditos, mas sim por uma estrada que vai sendo traçada colectivamente com Jesus, presente no grupo que se reúne em volta d'Ele.

 

Assim, a certeza de que Deus nos fala a todo o momento e por todos os meios, vai crescendo. Também vamos tomando consciência de que todos somos importantes e indispensáveis para o nosso grupo - todos temos um contributo a trazer e, se o não fizermos, estamos a bloquear o canal da graça divina que poderíamos ser, privando o grupo do enriquecimento pensado por Deus para fluir através de nós.

 

Isolina Gomes

Grupo "Pneumavita", Lisboa

 

 

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