Origens e primeiros passos de um grupo de oração

Votos de utilizador:  / 0
FracoBom 

 

 

As origens de um grupo do Renovamento Carismático são sempre humildes. As "coisas do Senhor" tiveram sempre um princípio pobre e humilde, como Belém e Nazareth. É o grão de mostarda. Não há técnicas pré-fabricadas para pôr um grupo em marcha. Para começar basta que haja algumas pessoas, mas poucas, que se reunam para orar com frequência, na ansiedade de se abrirem ao Espírito Santo.


Não importa se sabem muito ou pouco de Renovação Carismática. Apenas é preciso que a oração que começa seja espontânea, sincera e com espírito de pobreza, aceitando-se e amando-se uns aos outros a partir da Palavra de Deus. Há que evitar, desde o princípio, todo o formalismo e rotina. Basta que tenham o que diz S. Paulo: "Quando vos reunis, tenha cada um de vós, um cântico, um ensinamento, uma revelação, um discurso em línguas, uma interpretação; que tudo se faça de modo a edificar" (1 Co 14,26).



Para que o grupo seja "uno" e prossiga, é preciso que este mínimo de pessoas permaneça na oração, assim, durante 3 ou 4 meses, sem terem pressa que aumente o grupo. Este tempo de oração, até que se inicie o crescimento deste, é muito importante: nele se vai formando como que o núcleo do futuro grupo, núcleo donde sairão depois os servidores e catequistas. Durante este período, necessitam de abrir-se muito uns aos outros, e compartilhar a Palavra de Deus e as vivências por que vão passando. Assim se iniciará o processo de crescimento e maturação espiritual, e começarão a despontar os CARISMAS. Muito importante no princípio de um grupo é a forma como se resolvem as primeiras dificuldades, por que necessariamente se passará, pois, mesmo que todos possuam a melhor das boas vontades e desejos, surgem depois dificuldades, pela diversidade de carácteres, sentimentos, situações espirituais, forma de entender a oração, etc. A tentação de desistir é sempre uma ameaça que existe, e há quem ceda: o que mais custa será sempre aprender a amar e aceitar os outros, exactamente como são. Esta é a grande dificuldade de todo o grupo e dela depende uma grande parte da sua abertura ao Espírito e aos seus Dons, dificuldade que não só se dá nos princípios, como ao longo de toda a vida de um grupo.



Por outro lado, também aparece nos grupos um ou outro elemento que, pelo seu carácter, e por vezes forma de ser problemática, se torna incómodo para os outros. Pensaremos: "se tal pessoa deixasse de vir ao grupo, tudo seria mais fácil, avançaríamos mais, faríamos melhor a oração...". Mas isto é um engano. Essa pessoa difícil que se introduziu no grupo, é a pedra de toque do nosso grau de amor e aceitação aos outros; se a não posso amar, é ela quem me denunciará, como se tivesse sido enviada pelo Senhor; até que ponto o pecado estará em mim, até que ponto necessito de um coração novo para Amar, como o Senhor Ama? Pela força do Amor do Senhor em mim, acabarei por amá-la, como amo os outros!



(...) O grupo completar-se-á quando chegar a formar uma equipa de Servidores, segundo quaisquer dos diferentes processos que houver para ele. Se o grupo funciona há vários meses, não se aumente mais a formação da equipa de Servidores. Se é um só que tem a responsabilidade do grupo, lembremos que se isto é válido para o começo, chega em seguida o momento em que se deve partilhar esta responsabilidade com mais alguns que tenham plena aceitação de todo o grupo. Cada qual é chamado a percorrer um Caminho de crescimento na vida do Espírito, de Amor mútuo entre todos os membros, de entrega ao Senhor e aos outros. Deve ser testemunho do Amor, da libertação do Senhor e da sua Presença. Seguirá caminhando até às metas que o Senhor vai marcando: talvez Comunidade ou outro tipo de compromisso.

 

Luís Martin
in: Pneuma, nº 4-5

 

 

[página anterior]