Componentes da reunião de oração

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1.     Acolhimento

 

Assim que chegamos a uma reunião de oração, devemos sentir o calor humano que nos dá a sensação de estar entre irmãos. Por isso, para além da equipa específica de Acolhimento, todos devem fazer por garantir que os irmãos, ao chegar, se sentem parte de uma comunidade de amor.

 

Na reunião de oração, sempre que possível, as cadeiras dispõem-se em círculo – Deus está no meio de nós e todos nos voltamos para Ele.

 

A equipa orientadora dá as boas-vindas a todos e, em especial, aos que vêm pela primeira vez. Convida-nos a todos ao louvor e a depositar as nossa vidas nas mãos de Deus.

 

2. Animação/Libertação

 

Vimos à oração para estar com o Senhor, que também deseja muito que estejamos com Ele; para tal, só nos pede uma coisa – que estejamos totalmente disponíveis para Ele, com todo o nosso ser.

Por isso, a primeira coisa a fazer é irmo-nos libertando de todas as preocupações e problemas que trazemos,  bem como dos planos que povoam a nossa mente, para que possamos voltar-nos para o Senhor com toda a nossa atenção.

 

Começamos por cantar cânticos fortes e animados, com gestos que envolvem todo o corpo, mobilizando todo o ser para a oração. Vamos prestando atenção à letra destes cânticos, que nos vão ajudando a voltar para o Senhor.

 

Então, colocamo-nos diante de Deus, tomando consciência da Sua presença entre nós. Explícita e conscientemente, entregamos-lhe todos os fardos e projectos que trazemos, na certeza de que Ele os tomará em Suas mãos e sabe o que é melhor para nós.

 

 

3. Invocação do Espírito Santo

 

Reunimo-nos sobretudo para louvar ao Senhor. No entanto, temos consciência do quanto somos fracos e das dificuldades que temos em nos abrir a Ele. Sabemos que só o Espírito Santo, “Senhor que dá a vida” e que vem em nosso auxílio, poderá vir sobre nós com os seus dons, nomeadamente o dom da oração e do louvor, para que possamos abrir os corações e deixar que neles brote o louvor profundo, que sobe então aos nossos lábios, abrasando todo o nosso ser com o Seu fogo.  

 

Ao invocarmos a presença transformadora e vivificadora do Espírito Santo, cantamos um cântico apropriado.  O Espírito de Deus, porque invocado do fundo do coração, não se faz rogado. Então, é comum que o grupo entre numa oração ou cântico em línguas, que se prolonga por algum tempo, com momentos mais fortes e momentos mais suaves, conforme o Espírito Santo vai inspirando, até que todos terminam mais ou menos em simultâneo. No fim, observam-se alguns momentos de profícuo silêncio, em que frequentemente o Senhor fala ao coração de alguém.  

 

Chamamos profecia à transmissão verbal, a toda a assembleia, dessa mensagem que foi colocada no coração de alguém. É uma mensagem que se forma dentro da pessoa, que é dirigida ao grupo ou a alguém em particular e transmiti-la constitui um serviço à comunidade. Não deve haver receio nem inibição em fazê-lo.

As pessoas recebem o sentido de uma mensagem, que depois transmitem por palavras. Geralmente a profecia é anunciada na primeira pessoa, como se Deus estivesse a falar directamente aos homens.

Um dos factores de discernimento é precisamente a consciência clara de que deve ser transmitida, uma noção interior de premência em fazer o seu anúncio. Outro factor é a paz que inunda a pessoa, logo que começa a transmitir a mensagem. Há profecias que só vão sendo reveladas, à medida que vão sendo transmitidas. O factor decisivo de discernimento de uma profecia verdadeira é que a palavra de Deus é sempre de exortação e de alento, nunca de crítica. Uma profecia também nunca pode ser contrária à doutrina da Igreja.

Por vezes uma profecia é colocada no coração de várias pessoas. Nesse caso, depois de o primeiro ter explicitado a mensagem, os outros deverão dizer “Confirmo”.

Após uma profecia faz-se um silêncio de acolhimento interior e, em seguida, agradece-se ao Senhor a Palavra dirigida aos Seus filhos.

 

Por vezes ocorre que uma pessoa recebe uma profecia em línguas, ou seja, sente a premência de transmitir uma mensagem, mas em línguas. Neste caso, geralmente o próprio não tem a noção do sentido da mensagem. Sempre que isto acontece, o Senhor dá a alguém a interpretação da profecia em línguas– outra pessoa recebe o sentido daquela mensagem e transmite ao grupo. Pode acontecer, embora com pouca freqüência, que o próprio que recebeu a profecia em línguas a interprete também.

 

Todos os dons se podem manifestar em qualquer dos participantes e não apenas em alguns, pelo que todos devem estar disponíveis e não pôr obstáculos mentais à acção do Espírito. Invocamos o Espírito Santo e, em resposta, Ele age no nosso íntimo e faz-nos penetrar na Vida trinitária que Deus tem para nós, nos Seus planos desde toda a eternidade.

 

 

4. Louvor e Acção de Graças

 

O louvor é o clima de fundo em que se desenrola toda a reunião de oração, pelo que não tem um momento próprio e ocupa a maior parte do tempo da reunião de oração. No entanto, depois da invocação do Espírito Santo e de ouvir as profecias, as nossas almas inflamam-se e o louvor brota, então, numa avalanche de vitalidade e profundidade humanamente impossíveis. O louvor que é feito anteriormente, tem a dimensão da debilidade do homem e da sua vontade. Agora, tem a vitalidade do Espírito.

 

Louvar a Deus é reconhecer a sua glória, grandeza e bondade. Louvamo-lo em oração espontânea, que nasce no fundo dos corações. Para louvar a Deus, todos os nossos recursos são poucos; tal como nos é dito nos Salmos de louvor, falamos, cantamos, fazemos silêncios, cantamos em línguas, levantamos os braços, dançamos e usamos instrumentos musicais, porque a nossa alma está em festa, mas tudo é ainda pouco para traduzir a alegria que nos inunda.  

 

O Espírito, agindo em nós, faz jorrar louvores e glória a Deus, realizando-nos como homens. Se louvar a Deus já nos realiza, louvá-Lo em conjunto com os irmãos dá-nos a plenitude da missão para que fomos criados – adorar e glorificar a Deus, em comunidade de amor.

 

Louvamos a Deus pelo que é, pelo que faz na Criação e pelo que faz nas nossas vidas e à nossa volta. O louvor brota da alma, da nossa ânsia profunda por Deus e não do sentimento. Por isso, assistidos pelo Espírito, podemos louvá-Lo mesmo em momentos de tristeza ou quando a vida nos corre mal. Reconhecemos que tudo quanto acontece na  vida é para nosso bem e, por isso, louvamos também a Deus pelas circunstâncias que, apesar de nos desagradarem, constituem caminhos de aprendizagem e crescimento.

Todos devem participar. Deve evitar-se, a todo o custo, que alguém pense que “louvar é para os outros”. Deve exercitar-se o louvor, em pequenos grupos, para que não haja inibições. Este é um factor crítico de subsistência dos grupos.

 

É frequente que, na decorrência do louvor, alguém passe a rezar em línguas.

 

 

5. Leitura da Palavra

 

A Palavra de Deus dá sentido e orienta as nossas vidas, ao mesmo tempo que constitui alimento para o espírito. É também por este pão que rezamos no Pai-nosso “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”. Em todas as reuniões é lida e meditada a Palavra de Deus. Pode ser uma leitura escolhida pela equipa orientadora na preparação da reunião ou uma leitura que surja na altura, por impulso do Espírito.

 

Um membro do grupo lê uma passagem da Bíblia em voz alta, enquanto os outros acompanham pelas suas Bíblias, que trazem sempre consigo para a oração. É feito um comentário breve, em tom de oração ou de meditação, louvando ao Senhor pelos versículos que mais tocaram os membros do grupo. Poderá ser feito apenas pelo leitor, por alguns ou por todos os membros do grupo, conforme a dimensão do grupo e as circunstâncias. Não deve degenerar em discussão animada ou troca de ideias.   

 

 

6. Ensinamento  e/ou  testemunho  e/ou  partilha 

 

Segundo o discernimento da equipa orientadora, reserva-se um tempo para ensinamento ou para partilha ou para testemunho. Podem juntar-se vários destes elementos, conforme a orientação que a equipa vai recebendo do Espírito Santo, as circunstâncias do grupo e o tempo disponível.

 

 

6.1. Ensinamento

 

O objectivo de um ensinamento é levar todos aos pés do Senhor; conduzir as pessoas ao louvor e ao amor; amadurecer a fé; construir a comunidade; mostrar e ensinar a perceber os planos e a vontade do Senhor; enfim, ensinar a viver como Deus quer. Não são aulas de formação bíblica, teológica ou pastoral, mas sim transmissão de vida no Espírito.

 

Deve durar 15 a 30 minutos. Se se alonga demasiado, as pessoas perdem-se e não conseguem reter as ideias principais. É conveniente, no fim, sintetizar as ideias-chave que se pretendem transmitir.

 

 

6.2. Testemunho

 

Neste tempo, dá-se notícia da acção de Deus e da Sua passagem efectiva e transformadora na vida dos membros do grupo. A partilha destas realidades faz crescer a fé em todos os membros do grupo, conforta e anima. Faz perceber que o Senhor está vivo, tal como há 2000 anos e está a actuar no meio do Seu povo.

 

 

6.3. Partilha

 

O objectivo é partilhar comunitariamente as diferentes experiências de vida no Espírito e caminhada espiritual. É importante tomarmos consciência da variedade de caminhos que conduzem ao Pai, um por cada pessoa, porque cada um é único para Deus. Ajuda-nos a perceber os sinais de Deus na nossa vida, ao ver como outros interpretaram e responderam a sinais semelhantes.

Nas reuniões de equipas de discernimento pode também, neste tempo, haver troca de ideias sobre o andamento do grupo e os projectos de acção do grupo.

 

 

7. Intercessão e Súplica

Reconhecemos a bondade, amor e poder de Deus e que somos seus filhos, que Ele quer ver felizes. Quando pedimos para nós chamamos oração de súplica; quando pedimos por outros, chamamos oração de intercessão.

Assim, pedimos ao Pai pelas nossas necessidades, pelos presentes e pelos ausentes, pelos sãos e pelos enfermos, pelos pobres e marginalizados, pelo trabalho, pela saúde, pela felicidade, pela paz, pela Igreja, pelo mundo inteiro.

Quando se reza por alguém presente, é costume impor as mãos sobre essa pessoa, em sinal de que juntamos as nossas preces às suas. Os que têm o dom de línguas, rezam em línguas. Frequentemente é durante, ou após estas orações, que se verificam conversões, curas e milagres, também em pessoas distantes.

 

 

8. Conclusão

Alguém da equipa orientadora sintetiza a mensagem geral que o Senhor quis transmitir ao grupo nesta reunião, para que todos a apreendam. Geralmente, esta mensagem vai-se tornando clara ao longo das leituras e das profecias mas, por vezes, alguns podem não ter entrevisto toda essa ligação.

 

As pessoas despedem-se e dispersam-se, mas mantêm a união.

Fazem-se alguns avisos, combinam-se coisas para a reunião seguinte. Por fim, reza-se o Pai-nosso, geralmente de mãos dadas e outras orações finais, canta-se um cântico e todos partem, unidos em espírito.

 

 

NOTAS IMPORTANTES:  

 

SILÊNCIO: Para além do encontro colectivo com Jesus, é necessário que cada um possa, no seu íntimo e em privado, ter momentos em que possa falar-Lhe dos sentimentos íntimos que vão na alma e ouvir o que Jesus tem para lhe dizer pessoalmente, por meio do Espírito. É preciso proporcionar esse encontro pessoal, com momentos de silêncio durante os vários tempos da oração.

 

CANTO: O canto é muito importante, durante toda a reunião. O ministério do canto tem de garantir que são cantados cânticos de acordo com a profundidade do momento e, também, de acordo com os temas que vão surgindo. O canto é como que o cimento que faz a ligação entre todas as componentes da oração. Ajuda, também, a evidenciar a mensagem comum a toda a oração.

 

ORAÇÃO PESSOAL: Cada grupo é composto de pessoas, que trazem para a oração o resultado da sua vivência durante a semana. É da oração pessoal que brota uma riqueza inesgotável, que se consolida e ganha sentido na oração comunitária. Por outro lado, da oração em grupo ressaltam mensagens, a aprofundar na vida de cada um. Há uma ligação entre os dois níveis de oração. Se todos vão para a oração comunitária à espera de dali receber, sem nada dar, ou sem aprofundar o que foi recebido, não se cumprem os desígnios transformadores da oração e ficamo-nos apenas pela superficialidade e pelas exterioridades.

 

ESQUEMA: Este esquema não é, de modo nenhum, rígido. Cada grupo tem uma personalidade própria, que resulta da conjugação das personalidades dos seus membros. O Espírito Santo sopra onde quer e como quer e não há dois grupos iguais. O essencial é que, conhecendo a dinâmica-base, todos e em particular os membros da equipa orientadora, estejam atentos e sejam dóceis às moções do Espírito, que se vão indubitavelmente fazendo sentir, ao longo da reunião de oração.

 

Isolina Gomes

(Pneumavita – Lisboa)

 

 

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