Comunhão, testemunho e serviço no grupo de oração

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Um grupo de Renovamento Carismático não é um grupo de dinâmica, nem de renovação de vida, nem de meditação em conjunto, nem de estudo da Bíblia. Um grupo de Renovamento Carismático nasce do encontro com Alguém que vincula fortemente várias pessoas, como irmãs. Os começos chegam a ser “eufóricos”.

 

Sente-se a presença do Senhor, através do Espírito que liberta esse fundo de alegria e gozo profundos que todos nós possuímos profundamente – zona de inocência – com frequência reprimido. Pensar que este nível perdura, é utopia. Não esqueçamos o elemento humano. Três palavras gregas caracterizam os primeiros grupos cristãos: “KOINONIA” – comunhão, “MARTYRIA” – testemunho, “DIACONIA” – serviço. Quanto se oponha a Ele, repercute negativamente no grupo. Convém, portanto, recordar o conselho de São Paulo: “Examinai tudo e guardai o que for bom” (1 Tes 1-5, 1).

 

Comunhão

 

Um grupo começa como colectividade anónima que não se reúne por ideologia comum, nem por um código retirado da vida. Nasce de uma busca e de um encontro. Porque o Senhor, a quem procuramos, jamais falta a quem promete. “Saímos ao teu encontro, sabendo que virás”.

 

A comunhão supõe uma comunicação. Esta é difícil. Mesmo num grupo unido, sente-se frequentemente que se está bloqueado. O medo impede a liberdade de expressão. Medo de ser olhado e mal julgado; medo que se projecta no próprio “EU”; medo da simpatia que se cria à volta daquele que se distingue. Medo de nos escutarmos; falta de capacidade para aceitar e viver o próprio medo. Falta também nos grupos, capacidade de silêncio.

 

Testemunho

 

É com frequência que os grupos se limitam a expor banalidades. Falta de expressão de vivências de Fé; falta de simplicidade para poder ser autêntico. Talvez ao falar, se oculte 20% do que se deve dizer, com receio de censura. Os testemunhos que se dão, não são sempre existenciais, e confundem-se com a informação. A informação é indispensável, mas é algo de diferente; um testemunho deve rodear-se de uma atmosfera de silêncio que permita agradecer, compartilhar e admirar a acção de Deus. Nos grupos falta frequentemente esta dimensão, este espaço, este respeito, ao que o Senhor fez ao irmão. Falta tempo para reconhecer que à nossa volta se passam factos que nos interpelam. Falta compreender que o que vale, não é o “Saber”, mas sim “Saborear inteiramente” as coisas de Deus, como disse Santo Inácio.

 

Serviço

 

S. Paulo em 1 Cor 11, 18-19, diz: “Em primeiro lugar, oiço dizer que quando vos reunis, há desarmonias entre vós, e eu acredito-o em parte. É necessário que entre vós haja divisões para que possam manifestar-se os que são realmente virtuosos”.

 

Pode acontecer que Cristo permita a alguns a Graça de viver de um modo novo, Graça que deseja compartilhar com todos; e, ao querer comunicar essa mensagem, se produzam tensões por falta de preparação para a receber. Poderá acontecer – e é um perigo – considerar as inspirações do Espírito Santo, como uma confirmação das nossas próprias ideias ou decisões, e chegar-se até, a negar a autoridade daqueles a quem Deus tenha designado para uma direcção e ajuda. Se acontece num grupo algum conflito, é necessário ter calma, para evitar mais comentários destrutivos. É necessário que reconheçamos que somos todos diferentes uns dos outros e também que necessitamos de solidariedade do grupo.

 

Num grupo de Renovamento Carismático não se trata de encontrar líderes, mas sim de Servidores; há que confiar neles, pois o Espírito Santo projectará sobre cada um o poder de se encontrar e libertar.

 

Maria Palmeira de Orovio – RSCJ
in: Pneuma nº 4-5

 

 

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