Grupos e assembleias em reuniões de oração carismática

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Quero começar por vos falar um pouco sobre algumas reuniões de oração a que assisti.

No verão passado, estando eu na Califórnia, o Stephen Clark levou-me a casa dos Larson e, quando lá chegámos, havia um grupo de pessoas sentadas à volta da mesa da casa de jantar. Parecia uma reunião de oração. Começámos a conversar e, então, perguntaram-nos como tinham corrido as coisas em Notre-Dame. Eu e o Stephen contámos o que lá se tinha passado; a seguir, falei também um pouco sobre as mudanças que tinham ocorrido na minha própria vida. De repente, o Ed interrompeu-me e disse: "Jim, vamos aguardar um minuto. Penso que o Senhor nos quer dizer alguma coisa".

 

Houve, pois, um momento de silên-cio e eis que surgiu uma profecia muito bela e muito forte através da Srª Larson. Após a profecia, irrompeu do grupo, com toda a naturalidade, um murmúrio de oração de louvor a Deus e, de repente, esta oração transformou-se num canto em línguas que brotava de todo o grupo. Nunca antes tinha ouvido cantar em línguas. Era um autêntico louvor a Deus, onde cada um cantava palavras diferentes em melodias diferentes, fundindo-se o todo numa harmonia na qual o canto de uns se apoiava no canto dos outros. Depressa o canto se esvaneceu para dar lugar a um ligeiro murmúrio de oração e com-tinuámos a falar e a rezar. No final, precisa-mente antes de o Stephen e eu nos retirar-mos, orámos todos juntos e, depois, rodea-ram-nos e impuseram-nos as mãos, rezando por cada um de nós. Houve várias profecias que com grande surpresa minha, devo admiti-lo, parece que se cumpriram. Aquele grupo acabara de ter uma reunião de oração carismática.

 

Durante o tempo que estivemos na Califórnia, também fomos a um lugar cha-mado "Faith Tabernacle " (Tabernáculo da Fé), que é um centro não confessional. As cerca de quinhentas cadeiras ocupadas esta-vam dispostas em semicírculo, perto do palco de um enorme auditório. Para começar, houve oração de louvor e, pouco a pouco, as pessoas começaram a levantar os braços; muitas rezavam em línguas e, a certa altura, o canto em línguas elevou-se. Eis aqui o começo do que poderemos chamar "uma assembleia de oração", com toda aquela gente louvando e cantando em línguas com os braços erguidos para o céu. Surgiu uma mensagem em línguas e o pastor que estava no palco interpretou-a. A oração continuou e ainda houve mais uma mensagem em línguas e respectiva interpretação.

 

Mais tarde, o David Duplessis tomou a palavra e, depois da reunião, as pessoas dividiram-se por várias salas: numa delas, recebiam a efusão do Espírito Santo; noutra, continuava a rezar-se. Durante todo o decor-rer desta assembleia, o pastor fez o papel de coordenador / animador, o que ainda nunca tínhamos visto noutros lugares. De vez em quando, orientava dizendo: "Vamos agora fazer isto" ou "Agora ouçamos este nosso convidado". Depois de o David ter falado, o coordenador disse: "Façamos uma oração de acção de graças a Deus". Se uma mensagem em línguas era feita com a respectiva interpretação, ele recomeçava: "Uma vez que tivemos esta mensagem, vamos dar as mãos e orar todos ao mesmo tempo". Poder-se-ia ter ido lá como simples espectador, contudo seria bem difícil ficar ali sem participar.

 

Em Estes Park, no Colorado, uma equipa interconfessional dirigia um retiro para cento e trinta pessoas. Havia três reuniões de oração por dia; no início de cada reunião, o coordenador levantava-se e dizia: "Vamos começar agora com uma oração de louvor e de adoração". E as pessoas começavam a rezar. Qualquer um podia conduzir a oração em voz alta. Depois, alguém entoava um cân-tico e toda a gente o acompanhava; poderia haver outro cântico começado por outro participante, e outro ainda, à vontade. Entre os cânticos ouvia-se um murmúrio de oração. De repente, um canto em línguas irrompia de um dos cantos da sala e comunicava-se a toda a assembleia. Quando este se extinguia, surgia um outro cântico ou oração em voz alta.

 

Neste contexto de adoração e de louvor constantes, as profecias jorravam, em inglês ou em línguas, fosse qual fosse a forma. Algumas vezes, a reunião era mesmo inteiramente dirigida pelas profecias. Uma tarde, ficámos de pé mais ou menos uma hora e meia, ouvindo cerca de quinze profecias que surgiram uma após outra e que, de certa maneira, exprimiam uma imagem unificada daquilo que Deus estava a realizar no seu povo. Exortações à oração misturavam-se com as profecias e, quando o Espírito Santo inspirava, qualquer pessoa podia intervir ou dizer: "Façamos agora outra coisa".

 

Já mais perto do final da reunião, o coordenador apresentava um convidado que lá se encontrasse para partilhar fosse muita ou pouca coisa. Em seguida, era a altura ideal para qualquer presente dar o seu teste-munho e, a encerrar, havia uma oração e um cântico final. Estas reuniões podiam durar entre uma a três horas, com cento e trinta pessoas unidas neste tipo de oração.

 

 

 

Surgimento alargado de grupos e assembleias

 

Tem havido também reuniões de grupos e assembleias de oração em Notre-Dame, onde, no início, muitas pessoas não sabiam o que era uma reunião de oração ou, pelo menos, nenhuma sabia o que era uma reunião de oração carismática. Não tínhamos coordenador nem ninguém em especial para iniciar a reunião. Aliás, nessa ocasião, nenhum de nós sabia bem como era uma reunião de oração e também não sabíamos o que era um coordenador de oração. Sentávamo-nos em círculo, procurando unicamente deixarmo-nos conduzir por Deus e esforçando-nos apenas por seguir os impulsos do Espírito Santo.

 

Durante o decorrer da reunião, dez ou quinze pessoas diferentes poderiam sugerir fazer isto ou não fazer aquilo, rezar ou cantar agora…e a reunião podia durar até cinco horas. Passadas duas horas, havia um pequeno intervalo, durante o qual muitas coi-sas podiam acontecer; por exemplo, pessoas que já tinham estado noutro género de assembleia de oração juntavam-se para perguntar: "E agora, o que vamos fazer?" Também por vezes, durante o intervalo, podia haver um ensinamento e oração por aqueles que desejavam receber a efusão do Espírito Santo.

 

Neste verão, tivemos assembleias de oração em East Lansing, onde um grupo nosso vivia e rezava juntamente com pessoas vindas de todas as partes do país para partilhar a nossa vida durante um período mais ou menos longo. Lembro-me que, algumas vezes, as nossas assembleias de oração eram bastante animadas, com muitas pessoas que rezavam e cantavam com grande entusiasmo. Outras vezes, estavam todo calmos e até em silêncio durante longos momentos. Cada um de nós estava tão cons-ciente da presença de Deus que só o silêncio e a oração silenciosa eram possíveis. Recordo especialmente uma destas assembleias de oração onde, no final, nos apercebemos de que quase todos estavam a rezar prostrados. O mais frequente era não nos apercebermos sequer do que se passava à nossa volta porque, com os olhos fechados e o nosso pensamento directamente dirigido para Deus, não dávamos conta de que as outras pessoas ou se tinham ajoelhado ou se tinham prostrado como nós próprios o tinhamos feito. O nosso grupo não fazia mais do que reunir-se e começar a adorar a Deus, aguardando o Senhor, esperando que Ele nos indicasse o que devíamos fazer, dizer ou cantar. Queríamos ser, em absoluto, conduzidos pelo Espírito Santo.

 

Em Ann Arbor, as nossas assembleias de oração duravam duas horas; éramos cerca de cento e vinte e cinco pessoas perseverantes e geralmente, em cada reunião, apareciam mais vinte. Para começar, todos cantavam; depois, o coordenador dizia algumas palavras, tanto para explicar em que consistia uma reunião de oração (em grupo pequeno ou em assembleia), como para criar ambiente para o encontro. Seguia-se um tempo de adoração e oração espontânea; surgiam alguns cantos espontâneos e outros em línguas, bem como profecias e mensagens em línguas com interpretação e sempre um doce murmúrio de oração. Depois havia testemunhos (a partir de certa altura, as pessoas começaram a partilhar as suas experiências recentes de vida cristã), liam-se passagens da Sagrada Escritura e comentavam-se e, por vezes, durante cerca de quinze minutos, havia um ensinamento, dado por um dos animadores. Também frequen-temente se rezava por intenções recomendadas. Depois desta primeira parte da reunião de oração propriamente dita, havia dois pequenos encontros: numa sala, uns rezavam por aquelas pessoas que queriam, receber a efusão do Espírito; outra sala ficava reservada para aqueles que tinham vindo pela primeira vez, para se lhes falar sobre a efusão do Espírito e trocar impressões sobre assuntos postos por eles.

 

Abertura a vários modos de reuniões

 

Convém juntarmo-nos a reuniões de diversos grupos ou assembleias de oração, aonde o Espírito vos conduzir e vos proporcionar lá ir; a sua maneira de rezar pode ser ligeiramente diferente da nossa embora, nas linhas gerais, não o seja. Nuns, a sua liberdade de expressão e firmeza podem desconcertar-nos ao primeiro contacto; noutros, podemos ser surpreendidos pela sua discrição e calma. A verdade é que existem todos os tipos de pessoas nas reuniões de oração e não podemos esquecer que todos são conduzidos pelo Espírito de Deus.

 

Temos grande necessidade de que o Espírito alargue os nossos horizontes e a nossa maneira de ver. É necessário que deixemos de ser prisioneiros das nossas ideias sobre as reuniões e assembleias de oração e daquilo que pensamos que elas deveriam ser. Abramo-nos antes ao Espírito Santo e àquilo que Ele quer fazer num grupo ou assembleia. O que Ele quer fazer, será talvez coisa que ninguém antes tivesse feito; contudo, se é obra sua, é importantíssimo que não lhe barremos o caminho.

 

 

Finalidades das reuniões de oração

 

Penso que se podem considerar as reuniões de grupos e assembleias de oração com a intenção de alcançar duas finalidades:

 

1 - Para mim, a mais importante é a adoração e o louvor a Deus por Ele próprio. É n'Ele que nos devemos centrar. Um sinal da presença real do Espírito é, vulgarmente, o brotar natural da adoração e do louvor nos participantes. A adoração e o louvor fazem parte da reunião ou da assembleia e são mesmo a parte mais prolongada.

 

2 - Uma outra finalidade é a edificação do Corpo de Cristo e é por isso que os dons espirituais são tão importantes num grupo ou assembleia de oração. São meios de que Deus se serve para nos falar individualmente ou em grupo, para nos dar forças, para nos fazer crescer, para nos dar directrizes.

 

Comigo aconteceu que, depois que assisti à assembleia em Notre-Dame, sempre que eu rezava num grupo de oração verdadeiramente cheio do Espírito Santo, sentia que a minha própria vida cristã crescia e florescia. Sentia uma falta enorme quando não conseguia encontrar um grupo de oração, era como se me faltassem elementos para o meu crescimento espiritual; custava-me mais a fazer a oração individual, a Sagrada Escritura tornava-se-me menos viva e a acção apostólica mais difícil. Quando tinha ocasião de encontrar alguns cristãos que verdadeiramente rezassem no Espírito, sobretudo se os dons do Espírito se pudessem manifestar livremente e quando as pessoas pudessem, na realidade, ficar animadas pela acção de Deus, tudo isto me ajudava imenso. Sei que o que eu experimentava se passava também com a maior parte das outras pessoas.

 

Os encontros de oração devem ser sempre como que uma fonte que contribua para a edificação do Corpo de Cristo. Eis a razão pela qual, no decorrer das reuniões, partilhamos coisas que experimentamos nas nossas próprias vidas, partilhamos exorta-ções e passagens da Sagrada Escritura, ficamos abertos aos dons do Espírito. É assim que o Corpo de Cristo é edificado e se fortalece.