As grandes assembleias e os pequenos grupos de oração - Respectivas funções

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A vocação do Renovamento não será antes de tudo viver duma forma visível, na Igreja de hoje, a graça do Pentecostes?
O Renovamento não é mais do que um acontecimento que se vê e se compreende! É por isso que ele não pode existir, por si mesmo, e encontrar o seu pleno desabrochar, senão nas grandes assembleias.

 

Um grupo central e os grupos difusores

Um grande número de responsáveis do Renovamento Carismático está disso convencido. Consequen-temente, eles não tentam nunca ajudar os pequenos grupos e multiplicá-los, na esperança de que, pela via da adição e convergência, uma grande corrente será estabelecida. Pelo contrário, concentram os seus esforços na criação de um grande grupo central, se possível, de algumas centenas de pes-soas - e, a partir daí, prevêem os pequenos grupos difusores, dependentes do grupo central e por ele apoiados.

Este sistema de grupo central e grupos dependentes, oferece numerosas vantagens: antes de mais, permite ao Renovamento Carismático desdobrar as suas virtudes latentes, colaborando na cons-trução do Corpo de Cristo, a Igreja, num determinado local. O renovamento no Espírito Santo toca em todos os domínios da Igreja, e forma um todo.

É preciso, pois, exercer múltiplos ministérios e carismas que contribuam para edificar a Igreja pela sua complexidade. Normalmente não se encontram num grupo restrito dons diversificados e con-vergentes: é preciso um grupo bastante grande para que aquele se possa transformar numa espécie de centro de energia, e representar o poder do dinamismo do Espírito Santo, uma papel galvanizador. Além disso, certos carismas não poderão aparecer, se não se puderem exprimir, ou abrir-se numa grande assembleia. Uma artista, por exemplo, que tem uma voz de "prima-dona", não pode fazer valer o seu talento, senão numa sala espaçosa; entre quatro paredes do seu quarto não poderá demonstrar os seus dons!

 

Revivificar a vida litúrgica da Igreja

Por outro lado os grupos de oração mais largos, têm um papel importante para renovar a vida litúrgica da Igreja. Quem viu exprimir-se e cantar 10.000 pessoas em S. Pedro, em Roma, durante a Conferência Internacional de 1975, ou 50.000 pessoas no Congresso de Kansas-City, compenetrou-se do valor duma oração colectiva, e sentiu a vitalidade da fé e o testemunho que ela representa.

Todo o Antigo Testamento convida a esta expressão pública de fé, que está no coração do homem: não temos senão o obstáculo de escolha para encontrar na Bíblia, convites deste género:
"Vinde exultemos de alegria no Senhor, aclame-mos o nosso Rochedo, a nossa salvação" (Sl 94)
"Quero bendizer-vos em toda a minha vida. Levantar as minhas mãos em vosso nome." (Sl 62)
"Povos todos, batei palmas, aclamai ao Senhor com vozes de alegria." (Sl 46)

Só em grupo alargado se pode assumir adequadamente estas tarefas e esta missão. Escute-mos o profeta Ageu: "Subi ao monte, levai madeira e reconstruí a Minha Casa; ela me será agradável, e nela serei glorificado. Oráculo do Senhor." (A.1.8). É preciso estar pronto para alargar a vista, procu-rar recursos humanos e coordenar os esforços. Subir a uma montanha, e ver a paisagem em toda a sua amplitude, entrar no plano de Deus, não só na sua altura, profundidade e largura, é aventurar-se, aceitando às vezes deixar sendas batidas, para seguir pistas novas.

 

A devoção ardente não é suficiente

Quando se diz que é suficiente abrir-se ao Espírito e sentir o seu sopro, para seguir os da acção não se diz tudo. O fervor não é suficiente! Devemos amar a Deus com todo o nosso espírito, e de todo o nosso coração, bem como com toda a nossa imaginação e criatividade organizadora. Claro que é preciso cuidar que não haja excessos de organização que conduzem à rigidez e ineficiência, mas um mínimo de regras, um método de acção e de objectivos definidos, são entretanto indispensá-veis, se nos não quisermos restringir a piedosas práticas religiosas.

Os responsáveis devem unir-se para construir o templo de Deus Vivo, no mundo de hoje. Devem multiplicar o número de colaboradores, e sobretudo "desdobrarem-se." Em conjunto aprende-rão como estabelecer as duas partes do templo - a grande assembleia do grupo de Oração, e os pequenos grupos que se reúnem à volta daquela - sem sacrificar, nem um, nem outro.

 

A Grande Assembleia
um centro vital de anunciação

Estar ligado à grande assembleia não é somente ir ali de tempos a tempos, para dela tirar algo que sirva ao seu pequeno grupo para a sua caminhada. É estar pronto a dar-lhe toda a prioridade. A grande assembleia semanal, centro vital da animação, é o lugar donde parte normalmente o impulso, a energia e apoio. É o lugar onde aqueles e aquelas, que se aceitaram para ocupar um ministério ou uma função, reencontrando-se e projectando-se na oração, e repartindo serviços e tarefas. É dali que se envia e, é ali que se regressa, como os apóstolos vinham contar a Jesus tudo quanto haviam feito.

 

Os pequenos grupos
lugares de permuta em profundidade

Os pequenos grupos têm o seu lugar à volta deste grande grupo e cada um dos seus mem-bros, a ele estão unidos. O pequeno grupo é de qualquer modo lugar de permuta em profundidade, de partilha de experiência de vida; é lugar também, de relações espirituais do trabalho apostólico local.

Para que os pequenos grupos respondam plenamente à sua plenitude no Renovamento Carismático, é preciso que estejam ligados à grande assembleia regular, para ali encontrar formação, discernimento, ambiente, remate para concorrer também, para a sua vitalidade própria, para estabele-cer a imagem do Renovamento Carismático, autêntica, e mostrar o que deve ser uma verdadeira comunidade cristã, tanto de oração, como operante, aberta a Deus e aos homens. Porque não pode-mos dissociar a oração e conversão pessoal, oração e testemunho, oração e apostolado, oração e transformação do Mundo.

 

Uma abertura ao Mundo

Em segundo lugar, cada membro destes pequenos grupos, deveria tomar parte activa em qualquer forma de serviço apostólico, e responder também aos variados cuidados da cidade, onde irradia o grupo de oração alargado.
Com efeito, no Renovamento Carismático, quem quiser estar aberto ao Espírito Santo, tem que estar identicamente aberto aos homens. E, se duvidamos ainda, quando lemos a famosa cena do último julgamento, onde o Senhor nos julgará sobre a nossa obediência aos seus mandamentos, ir para junto dos mais abandonados, dos prisioneiros, dos pobres.
Mais do que nunca, hoje faltam-nos visionários de verdade - capazes de "viver em grande" o serviço do Senhor. Confiemos em Jesus. Ele é o SENHOR!

 

 

Verónica O'Brien
(foi membro da equipa do Cardeal Suenens, Arcebispo de Malines, Bruxelas.
Também foi consultora principal do Centro Internacional de Comunicação
do Renovamento Carismático, instituído em Bruxelas.)

 

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