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DAR UM TESTEMUNHO PESSOAL

 

 

“O testemunho pessoal de como o Senhor operou na própria vida, quando é animado de humildade e desejo da glória de Deus, é uma das formas mais eficazes de evangelização.” Pe. Raniero Cantalamessa

 

É nossa missão e de toda a Igreja proclamar a boa nova de que Deus é Pai misericordioso e por isso enviou o seu filho Jesus, que ressuscitou e está vivo, fazendo-se presente nas nossas vidas mediante o Espírito Santo, que nos acompanha em todos os momentos.

 

O meio mais importante de que dispomos para evangelizar é o nosso testemunho e todos temos um, já que consiste na história do que Jesus fez na nossa vida. Também este facto constitui uma boa notícia, pois apenas implica que tenhamos tido um encontro pessoal com o Senhor Jesus, mostrando-nos todo o amor que tem por nós. Não requer formações complicadas, aulas, ou qualquer outra coisa externa a nós, mas apenas a experiência da presença de Deus nas nossas vidas e a nossa resposta de fé. O Papa Paulo VI afirmava, na Evangelii Nuntiandi n. 42: «O homem contemporâneo escuta mais facilmente as testemunhas do que os mestres, e se escuta os mestres, fá-lo porque são testemunhas».

 

1.     Aceitar

Desta forma, sempre que nos pedem que demos o nosso testemunho, devemos fazê-lo, com simplicidade e boa vontade. Se alguém nos pediu, é porque reconhece que há algo que vale a pena ser partilhado. Assim, não devemos sequer perder tempo a pensar ou a dizer que não somos dignos, nem que estamos nervosos, pois tal significa gastar tempo valioso. Mais importantes do que grandes dotes oratórios são a unção com que falamos e a presença de Deus que nos acompanha. Ouvir um testemunho ajuda-nos a ter consciência da presença actuante de Deus no mundo hoje, e faz crescer a nossa fé.

 

O foco é Deus e o que Ele, na sua misericórdia, fez por nós. Não somos nós o fulcro, nem o que fizemos, nem tão-pouco a nossa indignidade. Temos de nos ver como servos de Deus, prestando um serviço aos irmãos. Desta forma, a mensagem de um testemunho correcto será: “Olhem para Jesus, admirem-no e venerem-no! Ele fez isto na minha vida! Se fez por mim, também fará por vós!”

 

2.     Preparar

Como em todas as circunstâncias, Deus ajuda-nos, mas temos de fazer a nossa parte. Depois de acedermos a dar o nosso testemunho pessoal, é necessário prepará-lo.

 

Tudo começa na nossa oração pessoal: nela, devemos pedir a presença e a unção de Deus, e também a sua bênção para todos os que vão ouvir o testemunho. Verificaremos que, na própria oração, Deus nos trará à memória os eventos que quer que partilhemos. Devemos pedir-Lhe que nos guie sobre o que vale a pena transmitir e o que não é relevante. Nesta fase, sem grandes preocupações e só para garantir que não nos esquecemos, devemos ir tomando notas avulsas dos pensamentos, ideias, acontecimentos e incidentes que nos vêm à memória. O passo seguinte consistirá em organizar este material, dando-lhe uma sequência lógica. Esta segunda fase é muito importante pois, se ficarmos apenas por acontecimentos dispersos, irá gerar confusão. Se houve passagens da Bíblia que mudaram a nossa vida, deveremos mencioná-las. Para que seja fácil localizá-las posteriormente, devemos sublinhá-las e marcar as páginas onde se encontram.

 

Também pode ser útil estruturar o testemunho no contraste entre o “antes” e o “depois” do encontro com Jesus, evidenciando os aspectos da nossa vida que mudaram desde que nos entregámos a Jesus e ao poder do seu Espírito.

 

1.3.   Tempo

Temos de respeitar sempre o tempo que nos é atribuído. Patti Mansfield, participante do Fim-de-Semana de Duquesne e pioneira do RCC, que prega em todo o mundo, afirma que qualquer período de tempo é bom. Inclusivamente, ela teve de dar um testemunho ao Papa João Paulo II em 90 segundos! Diz ela que devemos estar preparados para descrever a nossa história numa única frase que explique a razão da nossa esperança. Por exemplo: “Sou agora uma Católica pró-vida, que costumava ser uma activista pró-aborto e sem fé”. Num testemunho com mais tempo, esta frase pode servir de introdução e depois ser desenvolvida.

 

Qualquer testemunho deve ter 3 partes: princípio, meio e o fim. É importante distribuirmos o tempo que nos é concedido por estas três partes, embora não de forma uniforme. É preciso garantir que não caímos naquele caso em que se fala tanto no antes, que não há tempo para o depois da acção de Deus.

 

Na generalidade, na parte do início é recomendável apresentarmos como era a vida antes; no meio, contar o que aconteceu na nossa experiência específica com Deus e, no fim, o que mudou na nossa vida.

 

Depois de o testemunho já ter forma, é importante experimentar transmiti-lo em voz alta em casa, verificar o tempo usado e adequar a mensagem. Se for possível, é muito útil podermos contar com uma pessoa amiga, para nos acompanhar nesta fase.

 

1.4.  Simplicidade

É essencial ser simples e directo, isto é, ir ao fulcro da questão: a relação com Jesus e a experiência da Efusão do Espírito ou a forma como Deus actuou na nossa vida.

 

Devemos contar o que sucedeu em traços largos, sem detalhes excessivos. Por exemplo, devemos evitar descrições de diálogos do tipo: «Eu disse …, então ele disse … , depois respondi…». De igual forma, não devemos apresentar muitos nomes e muitas datas.

 

1.5.  Discrição e sensatez/prudência

É necessário ter especial cuidado quando se está a partilhar situações de pecado, sendo essencial garantir que nunca são revelados pecados ou defeitos de outras pessoas. Também neste aspecto, é muito útil poder falar com alguém de confiança, pedir-lhe conselho e passar em revista o testemunho em conjunto.

 

1.6.  Combate espiritual

Quando estamos prestes a dar testemunho, é frequente surgirem tentações, dúvidas e mesmo situações complicadas a nível físico, emocional ou espiritual, em nós ou naqueles que nos rodeiam. Não nos podemos deixar abalar por isso e devemos invocar a protecção do sangue de Jesus.

Isolina Gomes

 

(baseado no livro de Patti Mansfield “Proclaim the joy of the Gospel!” (“Proclamai a alegria do Evangelho!”), 2014, Ed. “Amor Deus Publishing”, EUA)