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Se, desde o momento da Anunciação lhe foi revelado o Filho, que apenas o Pai conhece completamente, como Aquele que O gera no «hoje» eterno (cf. S12, 7), então Maria, a Mãe, está em contacto com a verdade do seu Filho somente na fé e mediante a fé! É feliz, portanto, porque «acreditou»; e acredita dia-a-dia, no meio de todas as provações e contrariedades do período da infância de Jesus e, depois, durante os anos da sua vida oculta em Nazaré, quando ele «lhes era submisso» (Lc 2, 51); submisso a Maria e também a José, porque José, diante dos homens, faria para Ele as vezes de pai; e era por isso que o Filho de Maria era tido pela gente do lugar como «o filho do carpinteiro» (Mt 13, 55).

 


A Mãe, por conseguinte, lembrada de tudo o que lhe havia sido dito acerca deste seu Filho, na Anunciação e nos acontecimentos sucessivos, é portadora em si mesma da «novidade» radical da fé: o inicio da Nova Aliança. É este o início do Evangelho, isto é, da boa nova, da jubilosa nova.


Não é difícil, porém, perceber naquele início um particular aperto do coração, unido a uma espécie de «noite de fé» - para usar as palavras de São João da Cruz - como que um «véu» através do qual é forçoso aproximar-se do Invisível e viver na intimidade com o mistério. Foi deste modo, efectivamente, que Maria, durante muitos anos,permaneceu na intimidade com o mistério do seu Filho, e avançou no seu itinerário de fé, à medida que Jesus «crescia em sabedoria... e graça, diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 52). Manifestava-se cada vez mais aos olhos dos homens a predilecção que Deus tinha por Ele. A primeira entre estas criaturas humanas admitidas à descoberta de Cristo foi Maria que, com Ele e com José, vivia na mesma casa de Nazaré.


Todavia, na ocasião em que O reencontraram no templo, à pergunta da Mãe: «Por que procedeste assim connosco?», Jesus - então menino de doze anos - respondeu: «Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?»; e o Evangelista acrescenta: «Mas eles

(José e Maria) não entenderam as suas palavras» (Lc 2, 48-50). Portanto, Jesus tinha a consciência de que «só o Pai conhece o Filho» (cf. Mt 11, 27); tanto assim, que até aquela a quem tinha sido revelado mais profundamente o mistério da sua filiação divina, a sua Mãe, vivia na intimidade com este mistério somente mediante a fé! Encontrando-se constantemente ao lado do Filho, sob o mesmo tecto, e «conservando fielmente a união com o Filho» Ela «avançava na peregrinação da fé», como acentua o Concílio. Assim sucedeu também durante a vida pública de Cristo (cf. Mc 3,21-35) pelo que, dia-a-dia, se cumpriram nela as palavras de congratulação pronunciadas por Isabel, por ocasião da Visitação: «Feliz aquela que acreditou».

 

Papa João Paulo II
Carta Encíclica “Redemptoris Mater”

 

 

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