Misericórdia,  um  caminho revolucionário

11/01/2016  Ação Missionária  por Joaquim Franco

 
 
 

A misericórdia é operativa, não é teórica. Porissonão se diz, oumelhor, diz-se quando se faz, naconstruçãoética, no exercício da justiça e da paz com um inquestionávelenquadramentopolítico e comunitário.Dizer a misericórdia é umatarefadifícil, talvezimpossível. Poderemossondaroscaminhosonde a misericórdia se faz, porque, nascendonum Deus que se espera, a misericórdiaganhaexpressãoprática no homemqueprocura. Como a justiça, a misericórdiarevela-se naação. 

As obras de misericórdiaindicam um percursorevolucionário. Se as denominadasobrasespirituaisagarrampordentro, encostam o individuo à parede - Aconselhar; Instruir; Consolar; Corrigir; Perdoar; Suportar com paciência as adversidades e fraquezas do outro; Rogar a Deus pelosvivos e pelosmortos -, as obrascorporaisexigemumahermenêutica para o exterior, estão de saída (Com Franqueza... (2015), Paulinas): 

 

Dar  de  comer  a  quem  tem  fome!

É o escândalomaior, neste e emtodo o tempo. Somosconfrontados com o desígnioético de matar a fome e as fomes do mundo. Osnossosgestosmais simples podemnãomatar a fome no mundo, mas é nospequenoscombatesquecomeçam as grandessoluções. 

 

 

Dar  abrigo  aos  peregrinos! 

A vida é umaperegrinação. Vivemosnainterdependência. Somoschamados a exigirpolíticasjustas de habitação, porqueninguémexperimenta a justiçasemteto, mas somostambémchamados a acolherpessoalmente. No espaço e no tempo. Porque o tempo é hojetambém um espaçoinabitado de afetos.

 

 

Assistir os  doentes!

A fragilidadehumanaganhounovasdimensões. As doenças do nosso tempo nemsempresãovisíveis. O apoioaosdoentes e maisfrágeisrequernovasvisões. Uma renovadaatitude de disponibilidade. Osgrandescentrosurbanostrouxeramnovosdesafios. Porque um doentenão é umaequação, exigem-se políticas de saúdequetenhamemconta a integridade do serhumano, semdistinçõesousubterfúgioseconomicistas. Quando se discutemoslimites da morte e da vida, o despertar e o ocaso, exige-se umasociedadeempenhada no apoioaosdoentes. Aliviar a dor é tãoimportantecomoalimentar a esperança.

 

Dar  de  beber  a  quem  tem  sede! 

Nãomaneira de construir a pazenquantohouverquemnãotenha o mínimo de dignidadenasobrevivência. É necessáriopromoverpolíticasquecontribuam para a erradicação da pobreza, masqueestaurgêncianãocegueospropósitos da ação. As alteraçõesclimáticas e a intervençãohumananacobiça do lucro, subjugamnaçõesinteirasqueenfrentam a seca, a penúria e a guerra, gerammigrações de refugiados, vítimasquedesafiam a nossacapacidade de acolhimento. Dar de beber a quem tem sede, começa no combate à indiferença. Na ação de proximidadequeconstrói a consciênciacoletiva. Porquenãojustiçaenquanto a fragilidade do outro for instrumento para o subjugar.

 
 
 

Vestir os  nus!

De queservegritar a solidariedadeaosquatroventos, se a nossavidanão for coerente. Nosroupeiros da nossaincoerência, quantospobresvestiríamos? Na era do consumismo, da urgentemudança de comportamentos, exige-se também a sobriedadequeabrecaminho à partilha. Uma atitudequeevita o culto do luxo, do exagero. Pela nossairresponsabilidade, podem, no outro lado do mundo, sofrercrianças e velhosnasteias do comércioinjusto.

 

Socorrer os  prisioneiros!

Na sociedade do medo e da segurança virtual, ondecabe a misericórdia? Queespaço para daroportunidadeaosquefalham? Socorrerospresos é ajudá-los no seuprocesso de recuperação, do direito à cidadanianumcontexto de perdão e arrependimento. Mas tambémajudar as famíliasdesamparadas, osfilhosque a circunstânciaatira para a crueldade da vergonha e do abandono.

 

 

Enterrar os  mortos!

Cadapessoa é um templo, um ser com história e memória, quenamorteencerraapenas o capítulomaior da existência. É natravessiaque se revelaquemacreditaque a vidaeterna-de explicar a nossahumanidade. Se no final a morte tem as vestes de umaincógnitaindiferença, quenãoseja a indiferença a vencedorasobre a morte, mas o derradeirorespeitoquedarásentidoaociclo da Vida. 

Diz o papa Francisco quejustiça e misericórdiasãoduasdimensões duma únicarealidade” (BulaMisericordiaeVultus). A misericórdia é operativa, não é teórica. Porissonão se diz, oumelhor, diz-se quando se faz, naconstruçãoética, no exercício da justiça e da paz com um inquestionávelenquadramentopolítico e comunitário.

 

 
 

Publicaçãoconjunta da MissãoPress

 

 

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