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De par em PAR

Padre Tony Neves

 

“Vêm aí novos tempos de Misericórdia.

Há que abrir corações e vidas a quem é irmão e precisa de nós.

O Evangelho só é mesmo Palavra de Vida se os seus seguidores aumentarem a dimensão do seu coração. Este só é humano e cristão se bater ao ritmo do coração de Deus.”

 

 

Abrir portas e janelas de par em par é atitude de quem é ousado e não tem medo. Uma janela assim deixa entrar o ar mais fresco e prova que não há receios de chuvas ou ventos. Uma porta aberta dá para entrar e dá para sair. Permite encontros.

A palavra ‘par’ também nos recorda as artes das danças. É proverbial a convicção de que para dançar o tango são precisas duas pessoas. Usa-se esta expressão para dizer que a responsabilidade em quase todas as situações é coletiva, não sendo suficiente o empenho de uma pessoa só.

 

Mas, se quis utilizar esta expressão é porque vivemos tempos que apelam á hospitalidade, à abertura de mentalidades e corações. De um momento para o outro, as guerras da Síria, do Iraque e as instabilidades e pobrezas do Sudão, do Afeganistão, da Líbia e outras paragens, inundaram o Mediterrâneo de barcaças a abarrotar de gente. Pouco tempo depois, foram as fronteiras terrestres da Europa que viram chegar milhares de refugiados.

 

Perante tal drama, a Europa entrou em pânico, dividida entre os que querem levantar muros e vedações de arame farpado e os que acham que estamos perante irmãos desesperados que merecem apoio e acolhimento.

PAR, em Portugal, significa abraço, casa aberta, coração grande. Traduz Plataforma de Apoio aos Refugiados e junta um sem número de instituições e associações que querem dar corpo á esperança de quem teve de deixar a sua terra para, pura e simplesmente, sobreviver.

 

São muitos os medos e os mitos que se levantam em torno destes refugiados. Há quem tema que terroristas aproveitem a ‘boleia’ para entrar na Europa e nos dizimar. Há quem receie a imposição de ideias religiosas radicais que porão em perigo a calma e cristã Europa. Há quem se ache dono da Europa e se sinta no direito de vedar a entrada a quem quer que seja. Há quem olhe hoje para os muitos sem abrigo e pobres (parece que só agora os descobrem…) e dizem que temos que apoiar e alojar ‘os nossos’ e não quem é estrangeiro.

 

A PAR criou uma estrutura bem organizada com capacidade para favorecer parcerias entre as diversas entidades que querem acolher mas precisam de quem colabore. Por exemplo, há quem tenha casa para oferecer, mas não consiga assegurar alimentação, apoio educativo e sanitário, etc. A PAR está a ajudar a compreender que muitas das instituições que aderiram á plataforma já fazem um trabalho social imenso e reconhecido com os pobres daqui…

Vêm aí novos tempos de Misericórdia. Há que abrir corações e vidas a quem é irmão e precisa de nós. O Evangelho só é mesmo Palavra de Vida se os seus seguidores aumentarem a dimensão do seu coração. Este só é humano e cristão se bater ao ritmo do coração de Deus.

 

 

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