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COMBATE ESPIRITUAL

 

Pe. Joãozinho, scj

Apresentação

 

 

Este livro é uma bem-sucedida tentativa de popularizar a prática do «discernimento de espíritos», especialmente para a juventude.

O «discernimento de espíritos» pressupõe, em primeiro lugar, uma grande fé na acção do Espírito Santo, que foi enviado por Jesus «para ficar sempre connosco, e nos ensinar todas as coisas» (Jo 14, 16).

Em segundo lugar, o «discernimento de espíritos» supõe que quem o pratica queira de verdade seguir o projecto divino e por isso «discerne» para saber qual seja ele.

O clima propício para o discernimento é a oração, e o modelo da sua prática é o próprio Jesus Cristo. Várias vezes S. Lucas o surpreende em oração de discernimento. Por exemplo:

antes de sair para a vida pública, Jesus vai, guiado pelo Espírito, ao deserto para reflectir e conhecer o plano do Pai;

antes da escolha dos apóstolos, volta a retirar-se para escolher os que o Pai quer;

na encruzilhada decisiva da sua vida, no momento mais empolgante da sua missão, quando as manifestações de poder se concretizam em numerosos portentos dele e dos seus, quando a multidão o segue e aclama como rei, retira-se para consultar o Pai sobre o que Ele deseja: triunfo político-religioso ou o caminho da doação total da sua vida por meio do sofrimento e da cruz;

na véspera da paixão, Jesus retira-se para o jardim de Getsémani para, em três horas de profunda oração, suplicar ao Pai que lhe manifeste claramente se é decisão sua que beba o cálice amargo da paixão e morte de cruz.

 

Jesus orava para «discernir» sobre o projecto do Pai na sua vida. Discernia para conhecer a vontade do Pai.

Agora este excelente livro descreve a prática do discernimento como um «combate». Com toda a razão. O próprio Jesus Cristo, que rogou ao Pai para que nos enviasse o seu Espírito, pediu-lhe também: «Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno.»

Jesus experimenta, no seu interior, a luta que nos é comum. Experimenta-a:

 

no deserto, aonde foi conduzido pelo Espírito para ser tentado pelo diabo;

num momento crucial da sua vida em que a sua natureza preferiria o triunfo político-espiritual, mas o Espírito lhe diz que é o caminho do calvário e da cruz que o Pai deseja;

na oração do Jardim, em que a sua sensibilidade naturalmente se opõe ao projecto do Pai de que Ele beba o cálice do sofrimento e enfrente a morte de cruz.

S. Paulo experimentou também em si essa luta que se travava no seu interior: «Pois não faço aquilo que quero, mas aquilo que não quero... em meus membros, percebo outra lei que me toma escravo do pecado» (Rm 7, 15.23).

 

Pe. Joãozinho dedica uma parte do seu livro a descrever a prática do «discernimento de espíritos» de acordo com os grandes mestres da vida espiritual. Dá destaque especial à prática de Santo lnácio de Loyola.

(...)

 

Pe. Gabriel C. Galache, SJ

 

 

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