Entrevista com Ralph Martin

 

 

Em 1972, Ralph Martin foi nomeado director do novo Centro Internacional de Comunicação. Com efeito, a Comissão Católica ao serviço do Renovamento Carismático, em Ann Arbor (Michigan), empregou todos os esforços nesta organização internacional para responder ao número sempre crescente de pedidos de informação ou de conselhos que afluíam do mundo inteiro. Depois de Setembro último, o Centro Internacional de Comunicação foi transferido de Ann Arbor para Bruxelas. Os responsáveis de Ann Arbor acabaram efectivamente por reconhecer, a propósito de uma sugestão do Cardeal L. T. Suenens, Arcebispo de Malines-Bruxelas, que Bruxelas seria mais conveniente para um centro internacional.

Foi em Fevereiro de 1967, em Pittsburg, na universidade de Duquesne, durante um fim-de-semana de oração, que um pequeno grupo de estudantes fez a experiência da efusão do Espírito. Foi o início do Renovamento Carismático na Igreja Católica.

Em fins de 1971 e princípios de 1972, nasciam em França os primeiros grupos de oração do Renovamento. 
Por ocasião deste duplo aniversário, Pierre Goursat, fundador da Comunidade Emanuel, entrevistou Ralph Martin. 

Pierre Goursat - Alguns sociólogos afirmam que o Renovamento Carismático Católico atingiu o seu apogeu. O que pensa a este respeito?

Ralph Martin - Creio que pelo contrário, no interior da Igreja, o Renovamento está em pleno crescimento. Um simples facto basta para o provar: no anuário internacional, o número de grupos católicos de oração carismática duplicou depois de um ano. Contam-se em mais de 80 países. 

P. G. - Que linhas mestras da orientação do Renovamento nos pode dar, depois das diferentes viagens que efectuou pelo mundo? 

UMA MESMA EXPERIÊNCIA VIVIDA NO MUNDO INTEIRO 

R.M. - Uma coisa é evidente: é a mesma experiência que é vivida simultaneamente no mundo inteiro. Em Paris ou Durban, em Los Angeles ou em Dakar, o Espírito Santo actua da mesma maneira. É a mesma comunhão profunda que se estabelece através do mundo, e que é então flagrante nos grandes centros internacionais, como Roma. 
Em qualquer sítio o Renovamento implica uma conversão à pessoa de Cristo, uma libertação do Espírito na vida de cada um e uma abertura aos dons e aos carismas, vivida numa enorme caridade. Por todo o lado se reconhecem habitualmente estes elementos de base, quer seja em Espanha, no Japão, ou em qualquer outro lugar. 
Mas é lógico que, em cada local, o Espírito dê um toque mais personalizado, em função das políticas, das culturas e das mentalidades. 

P.G. - A seu ver, que contribuição pode o Renovamento dar ao movimento ecuménico?

R.M. - Eu creio que o Renovamento Carismático tem uma grande contribuição a dar ao movimento ecuménico.
O próprio facto de se desejar a unidade é já um carisma, e o Espírito ajuda-nos a reconhecer o que temos em comum com todos aqueles que defendem o Nome de Cristo e o seguem.

UM ACOLHIMENTO FRATERNAL SEM NEGAR AS DIFERENÇAS 

No Renovamento, cristãos de várias denominações trabalham lado a lado pela causa do Evangelho. Sem negar que existem diferenças que os separam e impedem a unidade total, eles acolhem-se mutuamente e amam-se como irmãos no Senhor.

Por outro lado, o Espírito Santo, ao renovar o pensamento dos teólogos, dá-lhes uma real abertura aos outros durante as discussões. A autodefesa desaparece e toma lugar o desejo de compreensão. 

UM NÚCLEO DE CRISTÃOS TOTALMENTE EMPENHADOS

P.G. - Em vários países, pessoas totalmente consagradas ao Senhor e aos outros nas comunidades de vida trabalham para o Renovamento, dedicando-lhe inteiramente todo o seu tempo. Que pensa sobre o assunto?

R.M. - Penso que Deus está a formar um núcleo de cristãos empenhados em servir toda a Igreja nas dificuldades futuras. Deus está a fazer surgir um núcleo de fiéis para serem inteiramente seus servidores. É isto que ele realiza hoje parcialmente e que realizará amanhã em larga escala.

P.G. - Qual é, na sua opinião, a missão do Renovamento Carismático na Igreja?

R.M. - É a evangelização. Na sua Exortação sobre o Evangelho, Paulo VI declara que a evangelização de todos os povos constitui "a missão essencial da Igreja". É a sua razão de ser mais profunda.

UMA NECESSIDADE: OUVIR FALAR DE JESUS CRISTO

As pessoas do mundo inteiro têm os ouvidos cheios de teorias sobre a liberdade, de promessas sobre tudo o que lhes trará a libertação…Eles sentem agora a necessidade de ouvir falar de Jesus Cristo e de ver com os seus próprios olhos comunidades onde jovens e velhos, ricos e pobres vivem juntos de uma nova maneira, por causa d'Ele. Sim, eles necessitam de ver pessoas não tendo "senão um coração e uma alma", amando-se, cuidando mutuamente uns dos outros.

UMA EVANGELIZAÇÃO COM UMA FORÇA NUNCA IMAGINADA

A Bíblia e os documentos da Igreja repetem-nos bastantes vezes que a Igreja se supõe como sendo uma Comunidade. Infelizmente, a maior parte das vezes isso está no papel, mas não corresponde à realidade. 

No Renovamento, o Espírito de Santidade realiza em milhares de pessoas, nas comunidades de vida, aquilo que concretiza a própria natureza da Igreja. Como o Renovamento se torna cada vez mais uma comunidade de pessoas dedicadas ao serviço do Senhor e ao serviço dos outros, a evangelização vai crescer com um poder e uma força muito acima de tudo aquilo que possamos imaginar. 

 

(Cf. Revista "PNEUMA" nº 3 - 1977 - 
Comemorativa da 1ª Assembleia Nacional)

 

 

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